O Género e o HIV/SIDA
O termo "género" muitas das vezes faz parte das discussões sobre a transmissão de HIV e SIDA.
Mas o que quer isto dizer? – Na linguagem quotidiana, a palavra género é utilizada quando se fala sobre as mulheres. Mas na linguagem técnica, o termo género é um conceito que inclui os dois sexos: feminino e masculino.
Existe uma diferença entre o género e o sexo. O sexo implica tudo o que é biologicamente definido desde o nascimento (pénis, vagina, testículos, útero etc.). O género pode ser entendido como conjunto de características determinadas pela sociedade, que identificam os papéis e o comportamento que diferenciam o homem da mulher.
O sexo é uma característica biológica que não se pode mudar. O género é mais dinâmico por que está influenciado pelas características de uma sociedade, da família, da educação, de normas, de hábitos, de leis, de crenças, etc.
Género, por fim, representa tudo o que se considera típico para homens e mulheres de uma cultura (por exemplo roupa, profissão, comportamento, etc.).
Os homens por exemplo, aprendem entre si que é normal a existência de múltiplas parceiras ou que não podem usar o preservativo quando se quer ser "homem de verdade". Desde crianças aprendem que não podem demonstrar nenhuma fraqueza. As raparigas aprendem, por exemplo, que devem obediência ao homem e que não devem fazer muitas perguntas e que o preservativo não serve para protecção. mas sim representa um sinal de desconfiança.
Estes papéis influenciam as oportunidades que homens e mulheres têm no poder social, económico e cultural e os direitos e deveres associados ao sexo. Em Moçambique a transmissão do HIV é causada em primeiro lugar, pelas relações sexuais não protegidas.
Para se abordar a questão do HIV e SIDA é necessário que sejam avaliadas as relações entre homens e mulheres, isto significa que os aspectos do género (os papéis e comportamento de homens e mulheres) devem ser sempre incluídos quando se pretende analisar este assunto. Por um lado, tem que se monitorar e analisar as actividades em termos de participação e do impacto para homens e mulheres identificando as questões e suas causas e articulando as soluções para as mesmas. Ao mesmo tempo tem de se considerar os diferentes papéis sociais, as diferentes oportunidades e necessidades dos homens e das mulheres.
A taxa mais elevada de prevalência de mulheres que vivem com HIV situa-se na faixa etária dos 15-24 anos, com números 2.5 vezes mais altos do que nos homens do mesmo grupo etário. Entre os 15-49 anos, a prevalência nas mulheres é aproximadamente 1.5 vezes mais elevada do que nos homens do mesmo grupo etário.
Há dois factores que são responsáveis pela feminização da epidemia: os factores biológicos do sexo (as mulheres são mais vulneráveis à infecção do HIV devido à grande superfície da mucosa da vagina exposta durante a penetração sexual) e os factores culturais, que na opinião de alguns autores são os principais, tais factores podem ser:
- O baixo poder das mulheres em negociar o preservativo;
- A violência sexual;
- E o sexo intergeracional, que consiste em mulheres terem como parceiros homens mais velhos – quase sempre por questões económicas - que podem, por sua vez, ter tido várias parceiras sem protecção, tendo assim maior probabilidade de estarem infectados.
As actividades sensíveis ao género podem ser acções especificas para mulheres e homens. Por exemplo:
- A Prevenção de Transmissão Vertical só pode ser considerada para mulheres;
- Campanhas com mensagens especificamente desenhadas para homens ou mulheres tendo em conta o impacto do seu comportamento em relação à epidemia e o seu papel no controlo da mesma.
Outras actividades sensíveis ao género podem ser:
- Quando um projecto promove a conversa sobre violência baseada na relação entre homem e mulher, incluindo violência doméstica.
- Quando um projecto desafia estereótipos e estigma associados com o HIV e SIDA como os seguintes:
- As mulheres são responsáveis pela transmissão do HIV;
- O homem só é homem quando tem muitas mulheres;
- Os responsáveis pela transmissão do HIV são mulheres, prostitutas, mulheres pobres, mineiros e motoristas.
Mais informações:
- MINISTÉRIO DA MULHER E DA ACÇÃO SOCIAL
- ONU / UNO
