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Incidência e impacto demográfico do HIV

Em relação ao impacto demográfico, estimou-se em 2008 que um total de 1.6 milhões de pessoas vive com HIV, dos quais 37% são homens e 54% são mulheres maiores de 15 anos, respectivamente, e 9% correspondem a crianças entre os 0 e 14 anos . A epidemia do HIV reduziu a esperança de vida dos moçambicanos, de 41 anos em 1999 para 37 anos em 2006.

O impacto sócio-económico da epidemia tem se traduzido na redução da força de trabalho, na sobrecarga do sistema de saúde, destruindo os ganhos em todos os sectores de actividade económica e social, e num número elevado de crianças tornadas órfãs e vulneráveis.

A epidemia obriga assim a desviar os recursos destinados ao desenvolvimento para minimizar as múltiplas crises que ela própria origina. Assiste-se a uma contínua fragilização das estruturas familiares, devida à pressão criada pelos cuidados e apoio que têm de ser proporcionados a um número crescente de pessoas debilitadas e/ou aos órfãos devido ao SIDA.

Estimava-se em 2008, que aproximadamente 463,000 crianças perderam o pai, a mãe ou ambos devido ao SIDA, um número que se espera que venha a crescer até 558,000 crianças em 2010. Se as actuais taxas de infecção pelo HIV assim continuarem, as perspectivas de crescimento económico e de desenvolvimento humano reduzir-se-ão de forma drástica.

Estudos evidenciam que a transmissão heterossexual do HIV é responsável em mais de 90% das novas infecções do HIV nos adultos.

Na epidemia do SIDA há a distinguir 2 tipos de factores impulsionadores:

  1. O factor chave é a existência de relações sexuais concomitantes com múltiplos parceiros e sem/com baixo recurso à protecção pelo preservativo;
  2. os factores contribuintes sociais e estruturais, por exemplo: a grande mobilidade populacional, as desigualdades do género e económicas, e comportamentais, como por exemplo: violência de género e sexual, consumo de álcool e droga, estigma, falta de comunicação sobre sexualidade, sexo e SIDA no seio da família.

As novas infecções do HIV surgem através dos casais discordantes, por exemplo:

  • Um casal que vive junto e um dos parceiros contraiu HIV há mais de 12 meses;
  • A ausência do preservativo em relações estáveis;
  • E possivelmente outros parceiros sexuais em segredo, não declarados nos inquéritos e estudos, nos quais se baseia o modelo/pacote.

Os comportamentos de Parceiros Múltiplos (PM), são relativos a dois grupos de exposição, aqueles que têm parceiros múltiplos, e os seus parceiros monogâmicos estáveis, que fazem inadvertidamente parte de uma rede sexual. Estes comportamentos dos PM são avaliados como responsáveis em cerca de 24-29% de todas as novas infecções.

Em relação ao género, as informações disponíveis no país mostram que existe um certo nível de tolerância ou de aceitação de discriminação baseada no género e na desigualdade, e que a educação e o rendimento da mulher reduz atitudes discriminatórias do género. Pode-se verificar que as mulheres com uma educação superior têm mais conhecimentos sobre a prevenção e utilizam os serviços de prevenção. Mas estas vantagens podem ficar sem efeito devido ao aumento do comportamento de risco sexual respeitante, por exemplo: parceiros múltiplos, mobilidade, e sentido de empoderamento.