Apresentação da Campanha Múltiplos Parceiros Concorrentes (138,54 kB; PDF)
Múltiplos Parceiros Concomitantes
O fenómeno de relacionamentos com múltiplos parceiros concorrentes entre homens e mulheres emergiu na agenda programática durante a reunião de Peritos da SADC em Maseru, no Lesoto, em Maio de 2006 (SADC Think Tank). Esta reunião identificou este fenómeno como um dos principais factores de transmissão da pandemia do HIV na África Austral. O relatório do encontro concluiu que os parceiros múltiplos e concorrentes associados aos baixos índices do uso do preservativo explicam a elevada prevalência do HIV na região, no contexto de elevada mobilidade populacional, desigualdades na distribuição de renda, factores culturais e desigualdade de género.
Pesquisas recentes demonstram que a existência de parceiros sexuais concorrentes ou simultâneos representa mais um factor de rápida expansão do HIV, pois traduz-se na sobreposição de parceiros ao longo do tempo (Morris & Kretzschmar 1997: 641). Vários autores (entre eles Watts & May 1992, Morris & Kretzschmar 1997) demonstram que o envolvimento em redes de múltiplos parceiros amplia a expansão das infecções por HIV porque nestas redes a lógica de actuação do vírus é bastante rápida. Uma vez ocorrida a infecção, o vírus não espera até que o relacionamento se dissolva ou que este relacionamento termine e se inicie um novo relacionamento, porque os parceiros anteriores continuam a manter relações sexuais com o indivíduo, tornando-se mais expostos ao vírus quando este indivíduo é infectado por um parceiro posterior concorrente.
O carácter concorrente e simultâneo dos relacionamentos aumenta o tamanho, a variabilidade e a velocidade da epidemia de forma exponencial (Morris & Kretzschmar 1997: 641) pois na fase imediatamente pós infecção – fase de pico de transmissão – o vírus salta por cada um dos indivíduos que faz parte da rede e estes ficam expostos a novas oportunidades de se infectar.
Normas prevalecentes de masculinidade incentivam os rapazes a serem sexualmente aventureiros ou mesmo predatórios e se colocam a si, assim como a suas parceiras em risco de infecção pelo HIV. Isto pode ser observado na construção de masculinidade que perpetua nas mensagens recebidas pela família e instituições: a noção de que a mulher é inferior; homem que é homem, tem várias mulheres; é o homem o chefe da casa, e portanto, deve tomar todas as decisões no âmbito familiar; o homem nunca pode negar uma mulher; a falsa ideia de que o homem não pode controlar seu desejo sexual etc. Estes aspectos fazem com que os homens se envolvam em muitas relações sexuais de modo a responderem à expectativa que a sociedade tem do que é ser homem.
Somado a isso, o uso abusivo de álcool em Moçambique faz com que muitos homens acabem por manter relações sexuais desprotegidas, o que aumenta o risco de infecção. O uso abusivo de álcool é também grande responsável pelas situações de violência entre os homens, inclusive da grande ocorrência de violência doméstica.
A aceitação cultural geral de parceiros sexuais múltiplos para os homens põe em causa muitas das mensagens de prevenção do HIV. Os papéis tradicionais relativos ao género ainda são amplamente apoiados tornando-se uma barreira contra a emancipação das mulheres na sociedade.
2010/2011
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